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Um dos pilares de qualquer projeto elétrico seguro e eficiente é o dimensionamento correto do disjuntor. Não se trata apenas de cumprir normas, mas de garantir a proteção da vida humana e a longevidade dos equipamentos.

Neste artigo, desvendaremos o processo de dimensionamento de disjuntores, de forma objetiva e didática, focando nos princípios fundamentais que todo profissional da área deve dominar. Prepare-se para aprofundar seus conhecimentos e otimizar a segurança de suas instalações.

A Importância Vital do Disjuntor

Antes de mergulharmos nos cálculos e conceitos, é crucial entender a função primordial do disjuntor. Ele é um dispositivo de proteção que atua como um “sentinela” do circuito elétrico. Sua principal missão é interromper a corrente elétrica automaticamente em duas situações críticas:

  1. Sobrecarga: Quando a corrente que flui através do circuito excede a capacidade segura dos condutores, o que pode levar ao superaquecimento dos fios e, consequentemente, a incêndios.
  2. Curto-circuito: Uma falha em que há uma conexão de baixa resistência entre dois pontos de um circuito, causando um fluxo de corrente excessivamente alto e perigoso.

Sem o disjuntor, um problema simples poderia se transformar em um desastre. Um disjuntor subdimensionado disparará frequentemente, causando interrupções indesejadas e até mesmo danos aos equipamentos. Já um disjuntor superdimensionado não atuará quando necessário, deixando o circuito desprotegido contra sobrecargas e curtos-circuitos. É a busca pelo equilíbrio perfeito que garante a segurança e a funcionalidade.

Passo a Passo para o Dimensionamento Eficiente

O dimensionamento do disjuntor não é um processo isolado; ele está intrinsecamente ligado a outros elementos do projeto elétrico, como a potência dos equipamentos, a corrente nominal e, fundamentalmente, a bitola dos condutores.

1. Levantamento das Cargas e Potências

O ponto de partida é sempre o levantamento detalhado de todas as cargas elétricas que o circuito irá alimentar. Isso inclui:

Liste cada item, sua potência em Watts (W) ou Volt-Ampere (VA), e a tensão de alimentação (127V, 220V, 380V, etc.).

2. Cálculo da Corrente Nominal (In)

Após o levantamento das cargas, o próximo passo é calcular a corrente nominal (In) que cada circuito irá demandar. A fórmula básica varia conforme o tipo de carga e o sistema de alimentação (monofásico, bifásico ou trifásico).

Para Circuitos Monofásicos (Ex: 127V ou 220V entre fase e neutro):

In = P / (V × Fp)





Onde:

Para Circuitos Bifásicos (Ex: 220V entre duas fases):

In = P / (V × Fp)





A fórmula é a mesma, mas a tensão V é a tensão entre as duas fases.

Para Circuitos Trifásicos (Ex: 380V ou 220V entre fases):


In​=V×3​×Fp​P​





Onde:

Exemplo Prático (Monofásico): Um chuveiro elétrico de 5500 W em 220 V (resistivo, Fp = 1). In = 5500 / (220 × 1) = 25A





Exemplo Prático (Trifásico): Um motor de 10.000 W (10 kW) em 380 V com Fp = 0,85. In = 10000 / (1.732 × 380 × 0.85) ≈ 17,8A





3. Seleção da Bitola do Condutor

A seleção da bitola do condutor é um passo crucial e antecede a escolha do disjuntor. A corrente que o condutor suporta (capacidade de condução) deve ser maior que a corrente nominal do circuito. A NBR 5410 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão é a nossa bíblia para isso, fornecendo tabelas com as capacidades de condução de corrente para diferentes tipos de condutores e métodos de instalação.

Pontos Chave na Seleção da Bitola:

Regra Geral: A bitola do condutor deve ser tal que sua capacidade de condução (Iz) seja maior ou igual à corrente nominal do circuito (In). Iz ≥ In





4. Dimensionamento do Disjuntor (Ib e In)

Agora, com a corrente nominal do circuito (In) e a bitola do condutor selecionada (com sua capacidade Iz), podemos finalmente dimensionar o disjuntor. A NBR 5410 estabelece as seguintes condições para a escolha da corrente nominal do disjuntor (Idisj):

  1. Proteção contra Sobrecarga: In ≤ Idisj ≤ Iz

Isso significa que a corrente nominal do disjuntor deve ser maior ou igual à corrente nominal do circuito e menor ou igual à capacidade de condução do condutor.

  1. Proteção contra Curto-Circuito:
    A corrente de curto-circuito no ponto de instalação deve ser inferior à capacidade de interrupção do disjuntor (geralmente em kA). Essa capacidade indica o quão bem o disjuntor aguenta um pico de corrente sem ser danificado. Para instalações residenciais, disjuntores com capacidade de 3 kA a 6 kA são comuns. Em instalações maiores, como indústrias, valores mais elevados podem ser necessários.

Escolha da Corrente do Disjuntor:
Com base na corrente calculada (In) e na bitola do condutor escolhida (com sua Iz), você deve selecionar o disjuntor de valor comercial imediatamente superior à In, desde que ele não exceda a Iz.

Exemplo: Chuveiro Elétrico de 25 A

Importante: A bitola do cabo NÃO PODE ser menor do que a exigida pela corrente do circuito, mesmo que o disjuntor seja menor. O disjuntor protege o cabo!

5. Tipos de Curvas de Disparo do Disjuntor

Além da corrente nominal, os disjuntores possuem diferentes curvas de disparo, que definem a velocidade com que eles atuam em caso de sobrecarga ou curto-circuito. As mais comuns são:

A escolha da curva é fundamental para evitar disparos intempestivos (falsos desligamentos) e garantir a proteção adequada.

Fatores Adicionais a Considerar

A Prática Leva à Perfeição

O dimensionamento de disjuntores, embora baseado em fórmulas e tabelas, é também uma arte que se aprimora com a experiência. Cada projeto apresenta seus desafios e particularidades. Comece com projetos menores, familiarize-se com as tabelas da NBR 5410 e não hesite em consultar colegas mais experientes ou a própria norma em caso de dúvidas.

Lembre-se, o objetivo final é sempre a segurança. Um circuito bem dimensionado não só protege os equipamentos, mas, acima de tudo, a vida das pessoas que interagem com a instalação elétrica.

Como especialista, meu conselho final é: nunca subestime a importância de um dimensionamento correto. É um investimento em segurança, durabilidade e tranquilidade.

Seja qual for o seu próximo desafio – um simples ponto de luz em uma residência ou um complexo painel industrial –, o conhecimento aprofundado sobre o dimensionamento de disjuntores será seu maior aliado.

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